Nós, psicólogos (ou estudantes), temos a estranha mania que querer que todo mundo tente se entender e se compreender ao máximo possível.
O problema é que normalmente só a gente está preocupado com esse processo, e a necessidade de fazer com que os outros passem por experienências que consideramos contrutivas, as vezes degastam nosso relacionamento com o mundo normal.
Porque com certeza não somos normais.
Uma amiga, muito ressentida com o namorado, veio me pedir conselhos. Eu, muito sorrateiramente, respondi que ela tinha um problema de estrutura.
O que importa pra ela a estrutura? Absolutamente nada.
(Tudo bem que ela faz psicologia, e eu ajudei-a a ver o problema, mas isso não necessariamente vem ao caso)
Tenho pensado muito sobre essa questão de aprender a conviver com as pessoas que simplesmente estão preocupadas com tudo menos com o processo de auto conhecimento, e a descoberta do próprio funcionamento psiquico.
E nós, amantes da psicanálise, podemos começar parando de exigir isso delas.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Dia municipal da Educação Inclusiva
Como poucos devem saber, hoje, dia 14 de abril é o dia municipal da educação inclusiva.
Fui em um evento da Camara Municipal, onde os vereadores e deputados se parabenizavam pelos trabalhos realizados em prol dos deficientes que podem agora viver como pessoas "normais".
Muitas coisas me chamaram à atenção ao longo do evento, dentre elas essa necessidade de classificação do que é tido como normal, e o que está fora dessa normalidade, é tido como doente, deficiente, ou qualquer que seja o nome dado.
Enquanto os políticos esbanjavam amores entre si, eu estava a pensar como poderiam aqueles, representantes do povo, não terem dimensão nenhuma da realidade das pessoas pelas quais lutam.
Quer dizer, uma deputada que é paraplégica, certamente sofre menos dificuldades que uma pessoa que é deficiente, e mora na favela da Rocinha.
Um outro comenta a necessidade de um cadeirante de poder escolher o sabor do sorvete que quer tomar, precisando entrar na padaria. E em virtude disso, vai mobilizar uma blitz em torno dos pequenos estabelecimentos comerciais, para que se "enquadrem"as necessidades dos cadeirantes.
Antes de se preocupar com a escolha do sabor do sorvete, os deputados deveriam estar preocupados não só com os aspectos físicos do ambiente escolar, mas sim em preparar os professores para lidarem com essa inclusão.
Outra questão que muito me fez pensar durante a assembléia, foi o papel dos pesquisadores universitários. Muitos psicólogos sociais, vêm, há mais de 20 anos, pesquisando a respeito da inclusão educacional. O Leon Crochik e sua equipe de pesquisadores se dedicam tempo integral ao levantamento de dados, que são utilizados para embazarem essas políticas públicas.
Porém, em nenhum momento os pesquisadores acadêmicos foram citados como percursores desse projeto.
Muito menos a classe da psicologia, que foi quem por iniciativa, declarou o dia da educação inclusiva.
Sem mais,
Fui em um evento da Camara Municipal, onde os vereadores e deputados se parabenizavam pelos trabalhos realizados em prol dos deficientes que podem agora viver como pessoas "normais".
Muitas coisas me chamaram à atenção ao longo do evento, dentre elas essa necessidade de classificação do que é tido como normal, e o que está fora dessa normalidade, é tido como doente, deficiente, ou qualquer que seja o nome dado.
Enquanto os políticos esbanjavam amores entre si, eu estava a pensar como poderiam aqueles, representantes do povo, não terem dimensão nenhuma da realidade das pessoas pelas quais lutam.
Quer dizer, uma deputada que é paraplégica, certamente sofre menos dificuldades que uma pessoa que é deficiente, e mora na favela da Rocinha.
Um outro comenta a necessidade de um cadeirante de poder escolher o sabor do sorvete que quer tomar, precisando entrar na padaria. E em virtude disso, vai mobilizar uma blitz em torno dos pequenos estabelecimentos comerciais, para que se "enquadrem"as necessidades dos cadeirantes.
Antes de se preocupar com a escolha do sabor do sorvete, os deputados deveriam estar preocupados não só com os aspectos físicos do ambiente escolar, mas sim em preparar os professores para lidarem com essa inclusão.
Outra questão que muito me fez pensar durante a assembléia, foi o papel dos pesquisadores universitários. Muitos psicólogos sociais, vêm, há mais de 20 anos, pesquisando a respeito da inclusão educacional. O Leon Crochik e sua equipe de pesquisadores se dedicam tempo integral ao levantamento de dados, que são utilizados para embazarem essas políticas públicas.
Porém, em nenhum momento os pesquisadores acadêmicos foram citados como percursores desse projeto.
Muito menos a classe da psicologia, que foi quem por iniciativa, declarou o dia da educação inclusiva.
Sem mais,
domingo, 11 de abril de 2010
O prateado é o narcizismo
Ao ver na exposição do Americano Andy Warhol, nuvens prateadas voando sob o efeito de gás Hélio, li a seguinte colocação: O prateado era tudo, era novo, era o narcizismo.
Mas, o que seria o prateado? uma cor? uma tendência? um modo de pensar? um trejeito?
Acredito que o prateado seja a maneira de se sobressair dentro da chamada cultura de massas, e daí transformar-se em masseificado.
Andy era um amante da cultura americana, e alegava não acreditar na supremacia americana, apesar de valer a pena ganhar algum dinheiro em cima desse sonho.
Voltando ao prateado...
É possível pensar em algo simbolicamente correspondete ao ser narcízico? Se fosse, eu pensaria no espelho, que, convenhamos, é prateado.
Se é pela cor, pelo efeito, ou pelo objeto que o representa, não importa realmente. O que, de fato, vale a pena ser recordado é que o prateado é o narcizismo.
Mas, o que seria o prateado? uma cor? uma tendência? um modo de pensar? um trejeito?
Acredito que o prateado seja a maneira de se sobressair dentro da chamada cultura de massas, e daí transformar-se em masseificado.
Andy era um amante da cultura americana, e alegava não acreditar na supremacia americana, apesar de valer a pena ganhar algum dinheiro em cima desse sonho.
Voltando ao prateado...
É possível pensar em algo simbolicamente correspondete ao ser narcízico? Se fosse, eu pensaria no espelho, que, convenhamos, é prateado.
Se é pela cor, pelo efeito, ou pelo objeto que o representa, não importa realmente. O que, de fato, vale a pena ser recordado é que o prateado é o narcizismo.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Dia Azul
Em homenagem ao dia do Autista (ontem), criei um Blog.
Provavelmente ninguem lerá, mas criei.
O dia do Autismo, me faz pensar como esses dias-mundias-de-alguma-coisa são absurdamente insultantes. Então quer dizer que nos outros dias, o autista deixa de ser autista? a criança cresce? a mãe morre?
Ah, já sei, O PAI TRANSITA!
Sou mesmo os outros dias, em que as pessoas podem ser elas mesmas. Ou pelo menos, deveriam poder.
Quanto a escrita terapêutica, acredito que desabafar um pouco dos pensamentos possa ser incrivelmente terapêutico. Não pretendo, porém, fazer disto um diário pessoal, mas sim esboçar pensamentos, reflexões, sonhos, quem sabe.
Prazer, para quem não me conhece, sou Lígia!
Provavelmente ninguem lerá, mas criei.
O dia do Autismo, me faz pensar como esses dias-mundias-de-alguma-coisa são absurdamente insultantes. Então quer dizer que nos outros dias, o autista deixa de ser autista? a criança cresce? a mãe morre?
Ah, já sei, O PAI TRANSITA!
Sou mesmo os outros dias, em que as pessoas podem ser elas mesmas. Ou pelo menos, deveriam poder.
Quanto a escrita terapêutica, acredito que desabafar um pouco dos pensamentos possa ser incrivelmente terapêutico. Não pretendo, porém, fazer disto um diário pessoal, mas sim esboçar pensamentos, reflexões, sonhos, quem sabe.
Prazer, para quem não me conhece, sou Lígia!
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